Arquivo para dezembro \15\-03:00 2010



letting go

 
“(…) Uma das razões para o sofrimento gerado pelo adeus é um velho conhecido: o apego.
Atribuímos nossos próprios significados às pessoas e às situações e isso nos liga a elas de tal forma que não conseguimos nos desapegar, diz o psicólogo Arnaldo Bassoli, da Associação Palas Athena, em São Paulo. Mas, se as transformações internas e externas são inevitáveis, por que se agarrar a certos momentos quando sua existência está levando você para outro lado?”

(“Deixe ir”, matéria da Vida Simples) 

Uma das coisas com que mais tenho dificuldade para lidar é o desapego, assunto que já consumiu muitas horas de terapia. Eu não consigo deixar para trás, quero ficar carregando tudo e todos comigo o tempo todo, em memórias, lembranças, objetos, rastros. Tava remexendo fotos antigas há pouco e isso sempre me deixa muito triste. Não me reconheço no cabelo, na pele, no sorriso. No olhar. Meu olhar dizia tantas coisas que ele não diz mais. E eu queria ainda ter comigo essa Nathalia de outrora, mesmo sabendo que a Nathalia que hoje existe é muito mais vivida, escolada e sabida. Eu sinto falta da outra, mais ingênua, apaixonada e que acreditava que poderia mudar o mundo.

E essa mania besta de querer levar tudo comigo me deixa tão pesada… Eu me olho no espelho e vejo cansaço, bolsas debaixo dos olhos, um fardo a carregar. E eu quero me libertar, deus, como quero me libertar. Estudo budismo, filosofia, astrologia, psicologia. Busco respostas onde elas não estão; quando sei que, no fundo, só eu serei capaz de cortar certos laços, de encarar o luto de frente e dizer, “querido, passou, passou”.

Hoje fui tirar o “tarot conselheiro do dia” e saiu exatamente essa mesma carta, de quase um ano atrás. 2010 de eterna roda-viva e eu ainda sambando em cima dos mesmos assuntos. Teimosia define. 

Meus exercícios de meditação dos últimos dias consistem numa metáfora muito simples do desapego, mas que eu acho das mais bonitas: imaginar tudo que me prende como se fosse um balão de gás, e soltar no vento, na brisa da tarde contra um céu gritando azul. Fuuu. Deixar voar, seguir, partir. A sensação de leveza depois é incrível. De estar pronta para buscar outras vidas, outros balões, outros momentos. De deixar espaço para tudo de novo que ainda está por vir. Não só porque é o início do meu novo ano pessoal e de 2011. Mas porque, como li outro dia, “a vida é um eterno cair e levantar“.

C’est la vie, cherie. C’est la vie.

 

+ inspirações aqui e aqui

in the end we’re all ok

this year went by in the usual way
some friends were lost, some friends were made
money was spent, money was saved
and in the end we’re all ok
in the end we’re all ok

(‘the year in review’, her space holiday)

quero TANTO virar a página.

 

devo ter feito algo de bom

Quem me conhece sabe que eu não sou lá muito fã de chuva, porque costumo fazer tudo a pé e ela, de fato, atrapalha bastante o percurso. Fico rabugenta e mal humorada. E ontem, mais do que nunca, eu queria que não chovesse. Porque decidi comemorar meu aniversário com um piquenique, e um tempo bom era imprescindível. Então que parou de chover às 23h e pouco do dia 11, e só voltou a chover às 0h10 do dia 13. Mesmo os metereologistas tendo feito a previsão de chuva para a tarde, fez um dia lindo e quente de primavera. Tive meu piquenique com céu lavado a mão, e um dia ‘feito de propósito’. Como se todos que me quisessem bem, ao desejar que não chovesse para não estragar minha festa, tivessem tido o poder de fazer com que ela não acontecesse. Feliz, feliz.

***

“Flor, te desejo muitas alegrias, muitas viagens, muito amor e um namorado bem lindo!”

“You are one of the most gorgeous and unique girls I have ever met and I know this day will rock :) love ya and miss ya and remember I wish you all the best :)”

“NATH gatinha que Deus te abençoe e prospere muito a sua vida e que esse seu sorriso e carisma contaminem todo mundo, muito sucesso, saúde e tudo aquilo que a gente deseja pra pessoas ímpares como vc =)”

“sem entrar no lenga-lenga ‘você merece’, mas já entrando, não consigo pensar em outra pessoa que mereça mais que você ter todos os sonhos realizados, e o peito cheio de sentimentos bons. Por que você traz muita beleza pra esse mundo e pra todos os que te cercam, e é meio lei de física, sabe? uma coisa the love you take/ Is equal to the love you make  que te traduz tão bem…
Amo ser sua amiga, amo aprender com você e finalmente, amo você!”

“espero estes pasando un bonito dia y que le sigas regalando esa bonita sonrisa que te caracteriza al mundo que te rodea”

“Uma carreira profissional brilhante, um amor daqueles de não ter fim, com seus dias de paixão quente e com seus dias de amor leve e gostoso. Desejo também muitos amigos e que eles enxerguem em você, você, exatamente você, com esse sorriso gostoso, esse papo divertido e essa leveza que conheci pessoalmente.”

“Amiga, não consegui ir, mas tudo que eu separei de bom do mundo é seu! Você é uma linda!”

“eu te desejo de coração mesmo que esse novo ano que começa hj pra ti seja maravilhoso, q vc possa contar no blog um monte de coisas boas que estejam acontecendo com vc, dando esperança pra um monte de gente (inclusive eu!! rs) que te lê, de que a vida vale a pena e muito, apesar de… Que vc possa finalmente colher todas as coisas boas que plantou!”

***

Essa é só uma pequena amostra de todo o carinho que chegou até mim ontem. No fim teve quem passou horas na cozinha fazendo algo especial para levar, teve abraço apertado, ligações queridas e desejos especiais. Tive todas as pessoas que amo ao meu redor, seja para brindar com champanhe num piquenique, desejando um montão de coisas boas para o ano que se inicia, seja apenas em pensamento, mensagens carinhosas e amor sem fim.

E eu sei que tem muita gente que não gosta de aniversário, mas quem me conhece sabe que eu amo muito meu. E não é nem por causa de presente, é por causa de presença mesmo. De sentir de perto a energia de todos que me querem bem. É como se fosse um dia em que a gente pode desejar o que bem entender, que o universo vai conspirar a favor e isso vai acontecer.

Ontem recebi afeto de todos os cantos do mundo, das mais diferentes formas, e poucas vezes na vida eu me senti tão querida e cuidada. Aniversário, para mim, representa um dia em que mais pessoas, em algum momento do dia, vão se lembrar da data e guardar um sonho bom para mim. Fui dormir exausta, mas ao colocar minha cabeça no travesseiro, a única frase que vinha à minha mente era uma que a Maria, de “A noviça rebelde”, cantou no filme: I must have done something good. :)))

das metáforas cotidianas

Ontem fiz minha receita preferida de bolo de banana para os convidados petiscarem no meu piquenique amanhã; e ficou lindo, fofo, cheiroso. Só que, ao testar uma receita nova para o bolo de aniversário – o ator principal da festa -, ela não deu certo. E tive que pesquisar outra, sair correndo para comprar o que faltava, lidar com a frustração. No total, fiquei umas quatro horas na cozinha, batendo massa, lavando mil louças com a unha feita, com o avental sujo e a cabeça explodindo de listas de things to do.

Digo que cozinhar é uma das minhas coisas favoritas no mundo, porque representa um ato de amor. De me dedicar a quem é especial, fazer algo de que a pessoa goste, ver olhos satisfeitos e estômagos felizes. Mas o nível de cansaço alcançado no fim de um dia em que fiz faxina e supermercado, e que havia dormido menos de cinco horas porque tinha saído no dia anterior para ir ao cinema, jantar, encontrar queridos e dançar até o mundo acabar, foi de assustar. Eu mal conseguia parar em pé, olhos fechando sozinhos, sem conseguir abrir uma garrafa d’água (!).

E eu sei que a exaustão veio após fazer um monte de coisas que amo, e eu também sei que dezembro, apesar de ser um mês que exige muito da gente, é minha época favorita do ano. Mas quando a tal receita do bolo não deu certo e eu tive que começar outra do zero às 23h de um dia tão cansado, a única coisa em que eu conseguia pensar era, “deus, até quando eu vou ter que ficar starting over?? será que algo em minha vida poderia ter um pouquinho de continuidade, só para variar?!”

spasibo

Um grupo de russos que recebi semana passada me contou uma simpatia local para o ano-novo: durante as 12 badaladas que marcam a virada do ano, eles queimam um papel com um desejo escrito (de preferência com letras beeem miúdas e em guardanapo, que queima mais rápido). Então colocam as cinzas no copo de champanhe e tomam a bebida. Perguntei se tinha dado certo e ele me disse, “olha, agora que você levantou isso… até que deu, sabia?”

Eu, que sou boboca e acredito em qualquer patuá que me passarem, vou fazer. Vai que, né?

copo BEM cheio e avante! :)

pretty please with sugar on it


2011, por favor, não destrua os sonhos que eu levei uma vida toda para construir.
se possível, traga alguns novos.
obrigada

fez-se mar

‘há sempre um copo de mar para um homem navegar’
(verso do poeta Jorge de Lima, título da 29ª Bienal de São Paulo)

 

vi esta frase ontem, em visita à bienal após reunião super produtiva, e ela fez parte do meu dia todo. de desejos borboletando no estômago, de mil coisas tomando forma e acontecendo, de um 2011 cheirando a novo e anunciando tempos bons, de calmaria pós-tempestade. de um copo de mar. inteiramente cheio, enfim.


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