“(…) Uma das razões para o sofrimento gerado pelo adeus é um velho conhecido: o apego.
Atribuímos nossos próprios significados às pessoas e às situações e isso nos liga a elas de tal forma que não conseguimos nos desapegar, diz o psicólogo Arnaldo Bassoli, da Associação Palas Athena, em São Paulo. Mas, se as transformações internas e externas são inevitáveis, por que se agarrar a certos momentos quando sua existência está levando você para outro lado?”
(“Deixe ir”, matéria da Vida Simples)
Uma das coisas com que mais tenho dificuldade para lidar é o desapego, assunto que já consumiu muitas horas de terapia. Eu não consigo deixar para trás, quero ficar carregando tudo e todos comigo o tempo todo, em memórias, lembranças, objetos, rastros. Tava remexendo fotos antigas há pouco e isso sempre me deixa muito triste. Não me reconheço no cabelo, na pele, no sorriso. No olhar. Meu olhar dizia tantas coisas que ele não diz mais. E eu queria ainda ter comigo essa Nathalia de outrora, mesmo sabendo que a Nathalia que hoje existe é muito mais vivida, escolada e sabida. Eu sinto falta da outra, mais ingênua, apaixonada e que acreditava que poderia mudar o mundo.
E essa mania besta de querer levar tudo comigo me deixa tão pesada… Eu me olho no espelho e vejo cansaço, bolsas debaixo dos olhos, um fardo a carregar. E eu quero me libertar, deus, como quero me libertar. Estudo budismo, filosofia, astrologia, psicologia. Busco respostas onde elas não estão; quando sei que, no fundo, só eu serei capaz de cortar certos laços, de encarar o luto de frente e dizer, “querido, passou, passou”.
Hoje fui tirar o “tarot conselheiro do dia” e saiu exatamente essa mesma carta, de quase um ano atrás. 2010 de eterna roda-viva e eu ainda sambando em cima dos mesmos assuntos. Teimosia define.
Meus exercícios de meditação dos últimos dias consistem numa metáfora muito simples do desapego, mas que eu acho das mais bonitas: imaginar tudo que me prende como se fosse um balão de gás, e soltar no vento, na brisa da tarde contra um céu gritando azul. Fuuu. Deixar voar, seguir, partir. A sensação de leveza depois é incrível. De estar pronta para buscar outras vidas, outros balões, outros momentos. De deixar espaço para tudo de novo que ainda está por vir. Não só porque é o início do meu novo ano pessoal e de 2011. Mas porque, como li outro dia, “a vida é um eterno cair e levantar“.
C’est la vie, cherie. C’est la vie.


