Coisas de mar e adeus entre sala e o quarto
Levantei cedo, antes do sol. Sonhei com o mar; no sonho, fitei algo bem distante. Era o meu último dia ali. Parecia que eu estava me despedindo, que algo soava um pouco triste. Se eu pudesse escrever uma carta de adeus, eu deixaria escrito nela aquilo que não importa muito a ninguém, mas que me deixou minimamente realizado. Não seria uma carta de desabafo ou reflexão cansada. Eu falaria dos dias bonitos, do barulho do mar, dos dias em que eu me senti muito feliz, das poesias que eu escrevi, mesmo sem destino. Eu contaria das vezes em que me perdi em São Paulo, em Melbourne e em Dublin. Mas já me perdi em João Pessoa também, mesmo a cidade sendo meu lar. Tem dias que me perco entre a sala e o quarto. Algo meu fica pela casa, e não é por desatenção. Desde sempre sou assim. Eu costumava falar muito, rir demais, ter uma energia muito grande, mas algo me ocorreu. Foi drástico, doloroso e ainda me persegue. É como uma grande sombra que me engole. Existem momentos em que sou tomado por lembra...