O excesso de preocupações com a “vida real” faz com que nossas rotinas sejam direcionadas às necessidades imediatas de sobrevivência.
Basicamente, a maior porção dos nossos dias é investida no trabalho e outras atividades que de alguma forma vão melhorar nossa condição financeira.
Em um país subdesenvolvido como o nosso, onde as oportunidades para uma vida digna são escassas e exigem dedicação quase integral de tempo, intelecto e disposição física, é comum estarmos ocupados demais para nos importarmos verdadeiramente com questões espirituais.
Ainda assim, o ser humano intrinsecamente busca por transcendência, por algo maior do que a si próprio. É natural que a criatura busque conexão com o Criador.
E para atender a esse anseio de forma rápida, como é tão comum na nossa geração, buscamos atalhos, conforto e praticidade. Só assim é possível encaixar algo a mais na nossa rotina.
No final das contas, a espiritualidade se torna mais um elemento utilitarista nessa corrida pela sobrevivência.
Aliás, sobreviver no século 21 vai além de alimentação, moradia e um mínimo de conforto. Ganha outros significados que envolvem status, relevância, networking e aparência, com ainda mais camadas se pensarmos mundo digital. Mas isso é um outro assunto…
Seres espirituais
Mas deixa esse jovem senhor de 33 anos compartilhar uma notícia importante: você é um ser espiritual vivendo uma vida material breve e passageira. Todas as nossas conquistas visíveis não passam de pó, que se espalha e some com um sopro.
Essa fé que você cultiva como um apoio, um mero combustível para sua correria diária não passa de uma muleta para a alma. E muletas têm sua importância, mas são paliativas. Não resolvem o problema que nos faz cambalear.
Uma espiritualidade real nos faz entender que essa dimensão física é só uma ínfima parte do todo. Por isso a mensagem do verdadeiro evangelho me encanta.
Falo em verdadeiro porque existem várias versões de Jesus por aí. Do gênio da lâmpada ao hippie good vibes, passando pelo vingador malvado que ama alguns poucos e odeia quase todo mundo.
A mensagem de Jesus não me desconecta da necessidade de sobreviver e dos meus desafios diários. Ao mesmo tempo, ela não é uma muleta que aciono como um apoio para as dificuldades.
Jesus me apresenta a uma poderosa verdade espiritual, refletida na vida terrena Dele: somos seres eternos de passagem por essa realidade material. E essa é a razão pela qual nos sentirmos tão inadequados aqui.
Nosso corpo envelhece e perde forças, as pessoas que amamos se vão, vemos a injustiça como um padrão na sociedade. Só mesmo um redentor bom, justo e santo é capaz de remover esse peso da inadequação que carregamos.
Ele nos aponta para uma forma de vida que inverte a ordem dos fatores: agora que sei que sou um ser eterno, como vou caminhar nessa “vida real”?
Confesso que ainda falta muito para tudo isso se tornar uma prática totalmente arraigada na minha própria caminhada. Estou sempre oscilando entre propósito e necessidade, carne e espírito, sobrevivência e transcendência. Uma guerra interna entre o que sou e o que posso ser.
Mas essa é uma verdade poderosa demais para não ser compartilhada, mesmo por um ser falho como eu. Uma Boa Nova que faz valer a pena começar, recomeçar, insistir e seguir lutando. Uma Mensagem de Amor que transforma a maneira como enxergamos tudo.
O “que diremos, pois, diante dessas coisas”? Prefiro me calar e entrar em posição de resposta a esse Deus que muda o nosso entendimento sobre o que, de fato, é a vida.
Deixo Jesus terminar esse breve pensamento:
“Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”.
Evangelho de João, 10:10